segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A voz do Pastor "Palavra de Deus"


"A palavra do senhor permanece eternamente. E esta é a palavra do Evangelho que vos foi anunciada" (1 Pd 1, 25; cf. Is 40, 8). Com esta afirmação o Santo Padre Bento XVI inicia sua última exortação apostólica dedicada ao estudo da Palavra de Deus. Ela é um dom divino para o seu povo, que é a Igreja, uma iniciativa de diálogo que revela quem é Deus e quem é o homem, que, somente neste intercâmbio, pode compreender-se plenamente.
O Senhor não é alheio às nossas preocupações cotidianas, mas fala porque ama, porque se importa conosco. Assim, sua aproximação nunca poderá ser encarada como uma ameaça, mas é sempre uma atitude salvadora, uma ajuda e incentivo para que nos unamos cada dia mais a Ele e sejamos cada vez mais autênticos.
O encontro diário com a Palavra de Deus tem esse poder transformador que se inicia no interior do coração daquele que crê e transborda em graças para toda a sua vida.
Infelizmente, entretanto, padecemos, em ocasiões, de uma grave surdez em relação a Deus. Não que o Evangelho não seja pregado. Na verdade, por causa dos meios digitais que hoje temos, sua pregação é mais frequente do que nunca; porém falta, por parte dos que pregam e dos que ouvem, um verdadeiro tempo de recolhimento onde a voz de Deus possa ser "ouvida", assimilada em nosso dia-a-dia.
Encontrar-se com Deus é um caminho eminentemente interior, um itinerário de escuta e diálogo, um aprendizado que ilumina toda a vida. Neste sentido podemos dizer que a Palavra é o alimento diário que revigora as energias do discípulo de Cristo e dá sentido ao seu caminho. Canta o Salmo: "Lâmpada para meus passos é tua Palavra, e luz no meu caminho" (Sl 119, 105).
Para que seja um alimento consistente, a bíblia deve ser lida em seu sentido global, ou seja, como uma unidade entre os seus 72 livros e com toda a tradição que a Igreja recebeu dos apóstolos e que é conservada com o auxílio do Espírito Santo, pois "sem a ação eficaz do 'Espírito da Verdade' (Jo 14, 16), não se podem compreender as palavras do Senhor" (VD, 16).
A revelação de Deus nunca deve, portanto, ser usada para amedrontar os filhos de Deus, ou para sobrecarregá-los de minúcias sem sentido, mas para guiá-los em seu itinerário para Deus, para libertar suas vidas através do plano salvador e prática dos ensinamentos evangélicos, para encaminhá-los para os sacramentos.
Que este mês de setembro seja um tempo oportuno para aumentarmos nossa intimidade com Deus e, sobre ela, reconstruir toda a nossa vida!

Dom Edney Gouvêa Mattoso,
Bispo Diocesano de Nova Friburgo

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