quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Amizade, dom de Deus – parte II

        
        Estimados leitores, estamos, nestas últimas reflexões, meditando sobre a Amizade, que brota do Coração amoroso de Cristo e se derrama a nós em Dom de Deus. Na primeira desta série, detemo-nos nas primícias do exemplo que Jesus nos deixou acerca da amizade... Os evangelistas não pouparam detalhes para nos indicar com quão grande amor fraterno Cristo tinha seus amigos. “Amou com coração humano”, afirma o Concílio Vaticano II, na Gaudium et spes. 
        De fato, é o amor pelos homens que o impele à submissão de nossa natureza frágil para nos salvar. Temos visto que amor e amizade são inseparáveis, exatamente por ser esta dependente, intrinsecamente, daquele. Assim, podemos entender que, para estabelecer um laço de amizade conosco, Deus amou-nos primeiro. “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16) . 
E como, segundo Santo Agostinho, “só se ama aquilo que se conhece”, coube ao Unigênito mostrar-nos a face misericordiosa de Deus, sempre pronto a nos perdoar e acolher. É como se repetíssemos o pedido de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta” (Jo 14, 8). Queremos, pois, estabelecer aquela amizade incondicional com o Senhor, fruto de uma sincera intimidade com Ele, que só nos é possível a partir do momento em que nos abrimos à revelação que o Filho nos dá. Portanto, a isto Ele nos responde: “Aquele que me viu, viu também o Pai” (Jo 14, 9) . Ou, como noutra passagem: “Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1, 18). 
        De fato, é nisto que deve basear-se a nossa amizade com Deus... E para que tal relação não fosse, de modo algum, parcial ou condicionada às circunstâncias históricas ou culturais, Cristo não poupou a própria vida para que a revelação se consumasse. Por isso somos amigos de Deus: porque podemos conhecê-lO através de Jesus – mesmo que ainda restringidos pelas limitações de nossa razão. “Chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15, 15). Cristo nos transmitiu o amor recebido de Deus, para que, provando-o, chegássemos à amizade com Ele: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30) . 
        Enfim, amigos, para compreendermos o Dom da Amizade que Deus nos concede em nosso atribulado cotidiano, precisamos de antemão entender que qualquer amigo, só o pode ser verdadeiramente, se antes advir do amor de Deus. Noutras palavras, a amizade de Deus conosco, estabelecida em Cristo, é a única fonte da qual pode, seguramente, emanar a amizade que nos leva aos Céus, sobre a qual refletiremos no próximo artigo.

Rafael de Oliveira Archetti
A. D. MMXI

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